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Se tem uma coisa da qual sempre me orgulhei foi a de não ter frescuras.
Sempre topei qualquer parada que não envolvesse camarão, palmito e azeitona. Se possível, deixaria a vodka, o suco de maracujá e cachorros grandes que latem demais de fora também.
De resto, baby, é nóis – como dizemos por aqui.
Essa semana me conheci melhor. Ou então é a idade que nos transforma mesmo.
Era um evento no Clube Med Rio das Pedras (Rio de Janeiro). Delícia. Topo super. Era uma folga dos trabalhos corridos de produção e uma delicinha de fazer assistência de direção pra uma amiga querida – alem, é claro, da chance de colocarmos o papo em dia e curtir (nem que fosse por meia horinha pós trampo) o tal Clube.
Como tudo que é bom demais pra ser verdade não é mesmo, ao chegarmos (depois de uma jornada de 14horas!) no hotel, descobrimos que eu não ficaria com ela, sequer no mesmo hotel.
Tudo bem.
É inconveniente e na minha função eu não deveria estar nesse grupo, mas em eventos nesses lugares é comum isso acontecer.
Agora, o que estava por vir…
Hotel Mendonça. Guarde bem esse nome e fuja o mais rápido que conseguir quando ouvir a possibilidade de passar perto dele. Fica em Mangaratiba, perto do mega hotel do Rio das Pedras.
Seguem as agradáveis fotos:
Além de desfrutar de toda essa estrutura, eu ainda ia dividir o quarto com 2 pessoas que nunca vi na vida. Normal, viagem de trabalho. Mas… e a distância entre as camas?
Como fui a última a chegar, fiquei com a cama do meio. Entre a que ronca e a bagunceira. A última me deixou lembranças decorativas no banheiro: duas calcinhas e um par de meias penduradas como se fosse o banheiro da casa dela. Hoje tem uma calcinha a mais dependurada lá. Elas nunca secam? E as camisetas no lugar de pendurar toalha? Me explica a lógica?
A cereja desse bolo fica por conta de ela fazer xixi de porta aberta, esquecer de dar a descarga vez ou outra e eventos como hoje de manhã, quando eu escovava os dentes e ela simplesmente entrou para fazer xixi. Saí no mesmo instante em que percebi a situação e fiquei segurando pasta de dente na boca até que ela liberasse o banheiro.
Educação gente. É uma mulher adulta. Jovem, mas adulta. Não vou ensinar. Vou reclamar pelas costas e quem sabe elaborar uma pegadinha “do bem”. Afinal, também tenho (ainda) meu lado moleque.
As meninas da produção não conversam com ninguém. Não são simpáticas, nem fazem questão de ser. São como a panelinha das meninas populares da escola: acham que sabem tudo, mas não sabem de nada; acham que conhecem todo mundo, mas não lembram o nome de ninguém. Não estão presentes nunca. Não perguntam se está tudo bem, como está a hospedagem na pocilga, sequer tocam nesse assunto. Elas, claro!, estão hospedadas no hotel bacana.
Como produtora – e das boas – me revolta muito. Elas não tratam equipe como ela merece ser tratada. Não elaboram um cronograma, não se preocupam se as pessoas almoçaram, se tem água, café. Não são as ultimas a irem embora. Não fazem a menor idéia do que se passa aqui nos lados da direção e técnica.
Montaram um time para cuidar do coquetel, da distribuição de brindes, tags e etc nos quartos dos convidados… São em pelo menos 6 (pelo que pude contar, mas sei que tem mais) e não tem ninguém para nos auxiliar na rotina de ensaios, palestras e afins que serão – amanhã e depois – as estrelas do evento.
Como produtora revoltada não levantei um dedo para ajudar outros perdidos que precisavam imprimir alguma coisa, descobrir algum horário, conseguir uma van, procurar alguém, entender como e onde comer… Não fiz. Não fiz por revolta, não fiz por birra, não fiz porque não estou de produtora aqui e existem, de novo, pelo menos 6 deles.
Mas acho que a revolta maior é porque estou me sentindo extremamente desrespeitada. Como profissional e como pessoa. Não quero festa, confete, abraços, puxa-saquismo. Mas quero educação, profissionalismo e consideração.
Nas produções onde trabalho nós sabemos o nome de todo mundo – ainda que demoremos a decorar, vamos tentando até acertar. Falamos bom dia e boa noite para todos de todas as escalas do organograma. Deixamos sempre alguém, nem que seja um estagiário, focado only e apenas em atender as demandas da direção e da técnica (algumas vezes, uma pessoa pra cada dependendo do caso).
Mas nunca, nunca, nunca fui produtora de uma produção fantasma como essa. Ufa! Me decepcionaria demais comigo mesma se tivesse alguém escrevendo um texto como esse sobre meu trabalho ou de qualquer pessoa das equipes de produção com as quais trabalho.
Minha mãe tinha razão: quer bem-feito, faça você mesmo.
UPDATE – pegadinha rolou, bem infantil, mas molhei novamente todas as cacinhas da colega. Quero ver a colega sem calcinha seca pra usar.
Não tem uma história que diz que fulano só será completo ou realizado se tiver: plantado uma árvore, escrito um livro e tido um filho?
Aos 33 anos de idade eu ainda não tinha realizado nenhuma dessas coisas!!!
Pois hoje eu, o O. (praticamente virados da noite de ontem) e o Placebo descemos para a Serra do Mar para fazer o tal do plantio solidário do trabalho.
Plantei 02 mudinhas.
Fiz minha parte e risquei um item do dito popular.
No final do ano passado pensei que tinha achado um trabalho ótimo. Grana fixa, todos os benefícios – inclusive 13º e férias – sem o peso da CLT e seus descontos enormes.
A grana era boa. Não era alta, mas não era baixa sabe assim. Com o tempo daria facilmente pra terminar de pagar as dívidas e começar a guardar algum para uma viagem ou outro luxo que há tempos não temos (acho que, como casal, ainda não tivemos).
Resisti bravamente durante uns 5 meses, mais ou menos. Fui levada pelas palavras do marketing: alinhar, high performance (na verdade é high outra coisa tão bizarra quanto), gerente, gerenciar, crescimento em época de crise, blá blá blá.
Tive bastante dificuldade em me adaptar à paranóia do horário: 10h é 10h, 10h10 no máximo – mesmo que não se tenha nada a fazer. Pedir licença e liberação para ir ao médico ou qualquer outro compromisso que você possa ter. E o horário de almoço? Uma hora e ponto. E não poderia, jamais, sair todas as pessoas do “departamento” ao mesmo tempo – revezamento, ok?
Lendo assim, parece que eu trabalhava numa empresa enorme não é mesmo? Com enormes departamentos, muitos funcionários, várias mesas, andares… Um banco, talvez outra instituição financeira, uma seguradora, uma empresa multinacional do ramo automobilístico, que mais?
Cansei de me questionar que tipo de empresa de marketing trabalha tão caretamente hoje em dia. Especialmente uma que se vangloria de ser pioneira no seu ramo. Gente! Abram a mente, por favor, né. Uma das maiores empresas do mundo (se não A maior), o Google, não trabalha nem perto desse militarismo. Minha mãe não me monitorava tanto quando eu era adolescente!
Triste mesmo eram as comemorações dos aniversariantes do mês. Toda última sexta-feira do mês, um bolo era cortado em homenagem àqueles que aumentaram uma primavera em suas vidas. O mais chato era que era sempre o mesmo bolo, com a mesma coxinha, o mesmo enroladinho de salsicha, coca-cola e sorrisos sem-graça dos menos de 30 funcionários que nem queriam estar ali.
Em 5 meses, nem um happy hour. Nem uma cervejinha com a galera da firma. As pessoas conviviam no mesmo pequeno espaço das 10h às 19h (19h? Nem sempre né. Às 10h sim, sempre. Mas às 19h…) e não conviviam socialmente, não trocavam, não se conheciam de fato.
Não vou nem começar a falar da arrogância carioca, porque é chover no molhado. Faço parte da grande massa que acha que o problema do Rio é o casting.
Tudo coisas que pertencem ao saco “incomodados que se mudem”. E foi o que fiz. Mudei de trabalho. Pedi demissão após 5 meses, sem nada certo. Algo no fundo (o tal sexto sentido que não sei bem como – e se – funciona?) me dizia que ia ficar tudo bem. Sim a grana faria falta. Mas aquele mundo careta (isso porque me esqueci de falar que fica na Berrini né), pseudo-inovador me sufocava. Eu não entendia eles, e eles – nem de longe – me entendiam também. Agora, sinto um enorme alívio, pois estou numa melhor. Melhor de grana, melhor de colocação e, certeza!, melhor de empresa.
Minha convivência foi pacífica. Me segurei algumas vezes para não explodir diante da arrogância e ignorância típica dos inseguros. No período em que trabalhei lá (5 meses, veja bem!), 6 pessoas saíram da empresa. SEIS!
Porém, me desapontei enormemente diante dos últimos acontecimentos. Sai da empresa, mas deixei contatos e fornecedores engatilhados. Qual a minha surpresa ao saber (e ouvir no viva voz) o tratamento destinado a um deles. Os gritos, o palavrão, as ofensas, as inseguranças em forma de inverdades… A falta de humildade, de ouvido, de compartilhamento, de parceria… Mas acima de tudo: de confiança!
Tenho extrema confiança nos fornecedores com quem sempre trabalhei. Também fico mais esperta ao trabalhar com um novo, com uma indicação. Mas nunca, jamais destratei nenhum deles. Nem os incompetentes.
Parafraseando o mal-educado, em 12 anos de carreira jamais destilei palavras tão feias e mentirosas no ouvido de alguém. E nunca dispensei os trabalhos de um excelente profissional no intuito de cobrir minha própria insegurança.
Lamento. É uma empresa que realmente não combina com meu trabalho, não tem (mais) meu respeito. Não cito nomes aqui, mas se perguntada diretamente algum dia: não. Não indico. O mesmo vale para o ser humano imbecil que representa a empresa diante dos fornecedores. Não trabalhará comigo jamais. Não indico. Não conheço.
esses dias eu ouvi muita gente me dizer que gostaria de ter o mesmo culhão que eu e largar seu emprego chato.
eu já peguei muitos empregos chatos. também já peguei alguns sensacionais. eu largo o que não me agrada, não me satisfaz, não me faz ter vontade de sair da cama. não entendo como alguém consegue ficar anos levantando da cama já de saco cheio do dia que nem começou.
não é fácil simplismente levantar e sair daquilo que te incomoda. acomodação é mais confortável e segura.
mas, a desacomodação já me levou a fazer trabalhos dos mais diferentes, e isso me ajuda a ter cada vez mais certeza do que eu não quero pra minha vida – facilitando o caminho do que eu quero, porque isso, nem idéia eu tenho ainda.
mas eu insisto, recomendo; e mudando eu vou, até achar o que me compete no mundo.
indifference
(pearl jam)
I will light the match this morning
so I won’t be alone
watch as she lies silent
for soon that will be gone
oh, i will stand arms outstretched
pretend i’m free to roam
oh, i will make my way through
one more day in hell
How much difference does it make?
how much difference does it make?
I will hold the candle
until it burns up my arm
oh, i’ll keep taking punches
until their will grows tired
oh, i will stare the sun down
until my eyes go blind
hey, i won’t change direction
and i won’t change my mind
How much difference does it make?
how much difference does it make?
I’ll swallow poison
until i grow immune
i will scream my lungs out
till it fills this room
How much difference…
how much difference…
how much difference does it make?
how much difference does it make?