No final do ano passado pensei que tinha achado um trabalho ótimo. Grana fixa, todos os benefícios – inclusive 13º e férias – sem o peso da CLT e seus descontos enormes.
A grana era boa. Não era alta, mas não era baixa sabe assim. Com o tempo daria facilmente pra terminar de pagar as dívidas e começar a guardar algum para uma viagem ou outro luxo que há tempos não temos (acho que, como casal, ainda não tivemos).
Resisti bravamente durante uns 5 meses, mais ou menos. Fui levada pelas palavras do marketing: alinhar, high performance (na verdade é high outra coisa tão bizarra quanto), gerente, gerenciar, crescimento em época de crise, blá blá blá.
Tive bastante dificuldade em me adaptar à paranóia do horário: 10h é 10h, 10h10 no máximo – mesmo que não se tenha nada a fazer. Pedir licença e liberação para ir ao médico ou qualquer outro compromisso que você possa ter. E o horário de almoço? Uma hora e ponto. E não poderia, jamais, sair todas as pessoas do “departamento” ao mesmo tempo – revezamento, ok?
Lendo assim, parece que eu trabalhava numa empresa enorme não é mesmo? Com enormes departamentos, muitos funcionários, várias mesas, andares… Um banco, talvez outra instituição financeira, uma seguradora, uma empresa multinacional do ramo automobilístico, que mais?
Cansei de me questionar que tipo de empresa de marketing trabalha tão caretamente hoje em dia. Especialmente uma que se vangloria de ser pioneira no seu ramo. Gente! Abram a mente, por favor, né. Uma das maiores empresas do mundo (se não A maior), o Google, não trabalha nem perto desse militarismo. Minha mãe não me monitorava tanto quando eu era adolescente!
Triste mesmo eram as comemorações dos aniversariantes do mês. Toda última sexta-feira do mês, um bolo era cortado em homenagem àqueles que aumentaram uma primavera em suas vidas. O mais chato era que era sempre o mesmo bolo, com a mesma coxinha, o mesmo enroladinho de salsicha, coca-cola e sorrisos sem-graça dos menos de 30 funcionários que nem queriam estar ali.
Em 5 meses, nem um happy hour. Nem uma cervejinha com a galera da firma. As pessoas conviviam no mesmo pequeno espaço das 10h às 19h (19h? Nem sempre né. Às 10h sim, sempre. Mas às 19h…) e não conviviam socialmente, não trocavam, não se conheciam de fato.
Não vou nem começar a falar da arrogância carioca, porque é chover no molhado. Faço parte da grande massa que acha que o problema do Rio é o casting.
Tudo coisas que pertencem ao saco “incomodados que se mudem”. E foi o que fiz. Mudei de trabalho. Pedi demissão após 5 meses, sem nada certo. Algo no fundo (o tal sexto sentido que não sei bem como – e se – funciona?) me dizia que ia ficar tudo bem. Sim a grana faria falta. Mas aquele mundo careta (isso porque me esqueci de falar que fica na Berrini né), pseudo-inovador me sufocava. Eu não entendia eles, e eles – nem de longe – me entendiam também. Agora, sinto um enorme alívio, pois estou numa melhor. Melhor de grana, melhor de colocação e, certeza!, melhor de empresa.
Minha convivência foi pacífica. Me segurei algumas vezes para não explodir diante da arrogância e ignorância típica dos inseguros. No período em que trabalhei lá (5 meses, veja bem!), 6 pessoas saíram da empresa. SEIS!
Porém, me desapontei enormemente diante dos últimos acontecimentos. Sai da empresa, mas deixei contatos e fornecedores engatilhados. Qual a minha surpresa ao saber (e ouvir no viva voz) o tratamento destinado a um deles. Os gritos, o palavrão, as ofensas, as inseguranças em forma de inverdades… A falta de humildade, de ouvido, de compartilhamento, de parceria… Mas acima de tudo: de confiança!
Tenho extrema confiança nos fornecedores com quem sempre trabalhei. Também fico mais esperta ao trabalhar com um novo, com uma indicação. Mas nunca, jamais destratei nenhum deles. Nem os incompetentes.
Parafraseando o mal-educado, em 12 anos de carreira jamais destilei palavras tão feias e mentirosas no ouvido de alguém. E nunca dispensei os trabalhos de um excelente profissional no intuito de cobrir minha própria insegurança.
Lamento. É uma empresa que realmente não combina com meu trabalho, não tem (mais) meu respeito. Não cito nomes aqui, mas se perguntada diretamente algum dia: não. Não indico. O mesmo vale para o ser humano imbecil que representa a empresa diante dos fornecedores. Não trabalhará comigo jamais. Não indico. Não conheço.
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