“e essa vontade de não sei quê que não passa?” uma amiga escreveu esses dias. Diria que ela esta morando na minha cabeça e contando pro mundo o que se passa por aqui.
O que acontece, de onde vem essa urgência de alguma coisa que não está clara? Uma vontade louca de fazer alguma coisa. Algo grande, significativo, importante, com consequências (boas ou ruins) eternas. Mudança que cause outras, de comportamento, das próprias vontades, de direção.
O caminho nunca será fácil. Nunca será exato. E, com certeza, nunca será daquele jeito que queremos, planejamos, sonhamos.
Não há problema nisso. Mas há problema em não acabar com a frustração. Me aflige pensar na possibilidade de conviver com ela. Confesso que tenho medo da frustração e do que pode vir dela.
Tenho mais medo da frustração do que qualquer mudança maluca – ainda que uma que não dê certo. Não é o pão com manteiga do “melhor me arrepender do que fiz do que do que não fiz”. Até porque acho possível não fazer alguma coisa e, ainda assim, não se arrepender. Assim como imagino possível arrependimentos insuportáveis por alguns feitos.
Mas esse é o meu lado carola que pegaria essa vontade de não sei o que e guardaria bem escondida numa gaveta empoeirada qualquer para que nunca mais fosse tocada, sequer achada.
Ainda bem que a vontade de não sei o que está gritando, esperneando, clamando por atenção. Por mais doído que seja, é bom saber que ela existe, que ela está lá. Que não estou morta nem sem sentimentos. Que ainda posso ter paixão, tesão, ânsia por alguma coisa, mesmo sem saber ainda o que.
Sei que ela ela está aqui. Só preciso sacudir as gavetas pra que ela caia e eu possa, finalmente, dar-lhe a atenção que merece. Cuidar. Dela e de mim.
Enquanto esse dia não chega, procuro, me debato, arrisco com outras poeiras que surgem dessa busca e me distraio para que meu coração e minha mente não entrem em colapso diante de tamanha ansiedade.
(som: Black Keys – “Rubber Factory”)
