
“Como era solitário sentar-se numa cozinha e tomar uma sopa de tomate enlatada, sem que houvesse alguém para observar seus movimentos, ou para minimizar a materialidade terrível e trivial dos acontecimentos, para conferir alguma importância ou significado ao processo. Jantares para uma só pessoa e uma sopa morna: talvez ali estivesse o indício que explicasse por que razão, em uma exposição recente, Alice havia gostado tanto da obra de artistas pop e havia sido atraída em particular para o trabalho de Andy Warhol. Tratava-se mais uma vez de um exemplo da capacidade da arte de realçar a vida.
Warhol havia pegado uma humilde sopa enlatada e realizado uma operação milagrosa através da qual a arte, não apenas platonicamente, imitava o objeto, mas também à maneira wildiana o realçava. Sempre houve algo de deprimente com relação às sopas enlatadas Campbell, mas o depressivo desaparece quando se pensa no fato de que alguém viu as latas com outros olhos, que alguém se preocupou em elevá-las à categoria de objetos de valor, que foram penduradas nas paredes dos museus e passaram a ostentar um estado icônico.”
(O movimento romântico)
Por que meus professores não explicaram o mictório de Duchamp com essa simplicidade?
E seguimos com De Botton…

