Carrie e suas amigas na banca de um sheik vivendo glamour e luxo em Abu Dhabi é realmente uma fantasia e tanto. Iguais aos desenhos Disney para as crianças. Com a diferença de que poderíamos estar imersos em fábulas imensamente mais interessantes que essa de dinheiro, compras e ode intensa – e tentadora, assumo! – ao consumo.
Mas, eu adoro o seriado. Sim. E me diverti bem no primeiro filme. Esse segundo… não me foi totalmente dispensável.
O que eu vejo e que me encanta nele, é a celebração da longa amizade, de uma intimidade, respeito, dedicação e aceitação que eu, particularmente, vi pouquíssimas vezes. Sendo eu parte excluída desse clube.
A questão independe do fato de que aquilo nada mais é que um roteiro escrito. Eu sei que essas pessoas não existem. Já li em algum blog de celebridades que as atrizes não são muito fãs umas das outras nos bastidores. Não importa. Elas estão sendo (muito bem) pagas para mostrar o monte de baboseira e cumplicidade que existe dentro de qualquer grupo de amizade incondicional.
E, sim!, ter amizades incondicionais é importantíssimo, necessário e, provavelmente, divertido.
Tenho fortes dúvidas, porém, de que eu me sentiria confortável novamente diante de uma amiga caso um piriri fizesse com que eu me cagasse nas calças na frente dela (SexandtheCity). Ou que perdoasse tão rapidamente e verdadeiramente uma amiga que me jogasse na cara uma possível traição do meu marido para justificar a sua própria traição (SexandtheCity2). Azar o meu! É o que as fúteis do filme estão cuspindo na minha cara. E elas tem razão.
E eu sei que é possível porque conheço pessoas que fazem parte de “grupos de amizade” assim. Sendo eu, de novo, parte excluída desses clubes. Em grande parte por minha própria dificuldade em lidar com relações tão intensas, exigentes e co-dependentes, e em alguma parte porque esses grupos se formam “naquele” momento e você tem que percebê-lo – impossível chegar tempos depois e querer entrar, mesmo. É como a conjunção dos planetas que causa uma virada em tudo – mas só porque foi com “aqueles” planetas, “naquela” formação.
Mas, se você não percebe, pode acabar ou amargo ou na doce esperança de que, na realidade, “aquele” momento ainda não chegou.
PS – O que foi aquela primeira classe??
(som: Aretha Franklin – by DJ Shuffle)
