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E se este mundo for o inferno de outro planeta? (Aldoux Huxley)

Posted by n. on 14/12/2011
Publicado em: 30anos, mal-humor. Deixe um comentário

Dentro do mundo de baboseiras de internet, a que mais me distrai e ocupa os momentos de procrastinação (?) no trabalho são os testes. Teste de qualquer coisa! “Qual Spicy Girl você é?”, “Quais seriam suas férias perfeitas?”, “Qual a sua cor?”. Qualquer, veja bem!, qualquer teste me diverte.

Eu preencho, minto e leio o resultado. Se não gosto, xingo o teste. Se gosto, eu finjo que acredito porque é isso ai mesmo! Dentro dessa categoria, está a resposta do “teste de popularidade” que eu fiz (você pode ler no final do texto. Ou não.).

Popularidade é a coisa mais babaca que alguém pode desejar na vida. Pelo menos eu penso assim. Popularidade, pra mim, é diferente de ser bem-sucedido, de ter bons amigos, de ser uma pessoa legal ou não.

Popularidade é ser conhecido pelo simples fato de ser conhecido por muitas pessoas, e não necessariamente amado por todas elas. Celebridade. Hoje em dia as pessoas querem muito ser popular. Mas muito! Mais do que na minha época.

Eu queria saber por que, em geral, as pessoas tem pena, ou “sentem muito”, por alguém que é solitário. Ser solitário, muitas vezes, é uma opção. Não raro prefiro ficar com meus pensamentos, meus vídeos, meus livros, minhas músicas, meus seriados, meu silêncio do que acompanhada. E isso, sometimes, inclui até meu marido (vish, DR chegando em casa???). Aliás, tenho certeza que se algumas pessoas “populares”, animadonas, cheia de mil amigos que nunca passam uma sexta a noite sozinha em casa, deveriam justamente experimentar a solidão. O que será que as pessoas “populares” sentem quando não alcançam a glória desejada, não é mesmo?

Então, você que tem um camarada solitário, antes de achar que ele está deprimido, sozinho, coitado, abandonado, pergunte! Isso mesmo. Nós, solitários por opção, podemos até dar uma resposta mal-humorada (tipo de humor freqüente entre nós), mas, acredite, é a resposta verdadeira e o mau-humor não é pessoal. Muitos da nossa espécie apreciam esse tipo de humor. E a dica da pergunta é unicamente para excluir a possibilidade de ser mesmo uma pessoa em depressão, prestes a se suicidar. Se esse for o caso, o facebook tem uma ferramenta nova (ops) ofereça o ombro amigo e tudo mais o que ele precisar.

** RESULTADO DO TESTE**

Você é uma pessoa ligeiramente solitária (sim, sou) e que prefere viver rodeada de poucas pessoas (sim, prefiro). Gosta de fazer amigos (às vezes), mas não toma a iniciativa de fazê-los, pois prefere ser abordada e solicitada (sim prefiro). O seu mundo particular é restrito e você jamais seria descrita como alguém extremamente popular (embora muitos discordem, sou extremamente não-popular). Quem se aproxima de você recebe uma boa acolhida (suponho que sim) e desfaz a imagem de que você é uma pessoa fechada e orgulhosa (acho que agora muitos concordam). Pratique mais exercícios sociais (não, obrigado), indo a festas de amigos (já vou), reuniões onde possa fazer novas amizades (não, obrigado) e assim vencerá os temores de ser rejeitada (temores? quem falou em temores de ser rejeitada?) ou a timidez de fazer novas amizades (depois dos 30 não é mais timidez, acho que é preguiça mesmo).

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Velório

Posted by n. on 13/12/2011
Publicado em: amigos, comportamento humano, família. Deixe um comentário

Eu lia. Eu lia e escrevia. Eu lia e escrevia e bebia e fumava de maneira tão constante que nada disso me fazia mal. Não havia ressaca – nem alcoólica nem moral. Não havia dormir até perder a hora. Não existia dormir antes das três. Havia sempre uma idéia, uma palavra. Ou mil. Uma história, um caso, um fora, uma bebedeira, uma burrada, um tombo, uma briga, pazes, novos conhecidos, ou re-conhecidos.

Existia outra vida.

Existia um alter ego. Não encontro mais meu alter ego – minha alter ego. Primeiro porque minha alter ego não se casou. Muito menos com o meu marido. Segundo porque minha alter ego tinha o mesmo nome da ex do meu marido. Se minha alter ego não pode conviver com eu-casada, eu não posso conviver com o fato dela ter o nome da ex do meu marido.

Preciso então de uma nova alter ego. Minha substituta perfeita. Preciso reconstruir essa sujeitinha. Não pode ter semelhanças com aquela alter ego. Se não tem o mesmo nome, não tem mais nada.

Minha alter ego com nome de ex era bem aceita pela sociedade. Bem aceita entre os amigos, amada entre os homens, solicitada nas baladas. Era popular aquela minha alter ego. Era, inclusive, extremamente querida por mim.

Pena que minha alter ego morreu. Morreu quando a ex passou a ser ex. Morreu quando eu casei. Morreu quando que parei de ler. De ler e escrever. De ler e escrever e beber e fumar de maneira tão constante, pois isso passou a me fazer mal. Não há mais acordar na hora. Não existe dormir depois da uma. Não tem mais uma idéia, uma palavra. Ou mil. Uma história, um caso, um fora, uma bebedeira, uma burrada, um tombo, uma briga, pazes, novos conhecidos, ou re-conhecidos.

 

Não existe mais Mariana.

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rapidinhas do coletivo

Posted by n. on 09/11/2011
Publicado em: rapidinhas do coletivo. Deixe um comentário

sete da noite e eu de óculos escuros.

por isso dizem que o verão é bonito?

a moça do meu lado coça a bunda.

na verdade ela tenta discretamente coçar o cu.

nojo.

não consegue.

tenta disfarçar ainda mais tirando o celular do bolso.

no mesmo instante ele toca.

é seu pai ligando de santa cruz.

ela atende já levantando.

“tô indo pro inglês”.

com a outra mão tira a calcinha do cu.

temos certeza que ela aproveitou pra dar uma coçadinha.

eu e a senhora do outro lado do corredor que faz uma careta.

ela desce no ponto.

falando com o pai e coçando o cu.

o verão não é bonito.

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I´m a liar

Posted by n. on 08/11/2011
Publicado em: 30anos. 2 comentários

(do começo de 2011)

Não existe coisa mais falsa naquele seu amigo de alta auto estima do que a alta auto estima dele.

Falso, hipócrita, farsante.

Porque até (inclusive – na verdade) os egocêntricos só são (egocêntricos) porque se tratam de seres estupidamente inseguros e rasos.

Sim, eu também.

Sou a melhor mentirosa do mundo.

E confessei isso hoje a noite em voz alta.

Numa esquina dos Jardins, assumi uma das minhas maiores qualidades.

Sou a melhor mentirosa do mundo.

Sou a alta auto estima mais baixa. Sou a falsa magra. Sou a mais alta das minhas amigas, mas não sou alta. Sou feliz, mas tenho uma eterna crise dentro de mim. Sou tímida, mas extrovertida. Sou quieta, mas tenho opinião de sobra. Tenho opinião formada sobre tudo, mas mudo de idéia como quem muda de canal. Odeio gente eclética. Odeio o mundo parado. Sou preguiçosa pra caralho. Faço mais de uma coisa ao mesmo tempo. Falo muito, sobre tudo, sobre todos, sobre qualquer coisa, mas você não me conhece. Você me ouve falando sobre que o acontece dentro de mim, mas você nunca tem certeza se o que você ouviu é o que eu quis dizer. E você não pensa muito nisso. A desconexa inteligente sou eu. A equilibrista que não despenca, sou eu. Você me acha muito sagaz, embora eu nunca entenda a piada. Piada nenhuma. E você não faz a menor idéia de como isso acontece, mas sabe que acontece.

Sou a coisa mais óbvia, comum, clichê, chata, besta, 1984, take me to your leader do mundo e meu maior desafio é viver assim.

E o do meu amigo também.

 

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happy-hour

Posted by n. on 08/11/2011
Publicado em: amigos, comportamento humano. Deixe um comentário

(texto antigo, de 2008)

É um homem. Peculiar. Dentre outras manias de mulher, mente a idade. Tem 40, mas diz ter 39. Provavelmente teria 39 por mais uns 05 anos, quando faria 41. Sempre fora gordinho, pelo menos desde que eu o conheci. Anos depois, ao encontrá-lo, descobri que agora faz academia. Continua gordinho pra mim. Sabe gordinho-pião? Com as pernas fininhas, desproporcional? Então…

Nunca fora visto acompanhado. Nem por mulher, nem por homem. Nunca sequer fizera um comentário que ajudasse a curiosidade do povo do escritório em relação a sua sexualidade. Trabalhamos com ele! Temos o direito de saber! Afinal de contas, é falta de xana ou falta de pica?

Faz o tipo chefe carente. Daqueles que liga 24 vezes antes do almoço. É competente, mas inseguro. Só pensa, fala, respira trabalho. Nunca foi visto bêbado por seus funcionários – sequer alegrinho num happy-hour. Aliás, happy-hour pra ele é mexer no iPhone novinho em que ninguém, que não seja trabalho, liga. Adora mostrar as músicas que nunca ouve, pois nem fone tem – além, é claro, de todos os outros “pra-que-isso” do desejado aparelhinho.

Uma vez resolveu experimentar o tal happy-hour com as moças da firma. Estavam terminando um trabalho no Rio de Janeiro. Cidade bonita, noites frescas, bares cheios, chopps cremosos… Escolheram um perto do hotel. Sentaram.

“Três chopps”, pede uma das moças

“Não, não. Quero uma caipirinha de Lima-de-Pérsia”, ele retruca

“????”, garçom, moças, mesa do lado…

Meio copo de caipirinha da Lima-da-Pérsia depois, e já estava com as gordas bochechas rosadas e começando a ter dificuldade de organizar as letras em palavras. Como esperado, começou a falar de trabalho, ao que uma – chefe dele – reclamou:

“Ah não! Sexta-feira à noite. Pelo amor de Deus. Quero mais um choppinho e depois me jogar nos braços do gato pruma noite delícia. Não me venha com trabalho uma hora dessas.”

“É mesmo!”, completa outra, “ou você fala de trabalho até durante o sexo?”

“Sexo? E eu lá tenho tempo pra isso?”

Tava explicado. Não era nem falta de xana nem falta de pica… Era falta de uso!

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…………. fragmentos …………..

Posted by n. on 28/10/2011
Publicado em: 30anos, fragmentos.... Deixe um comentário

escuridão total. com exceção de um pequeno abajur. longe.
“impossível não dar certo.”
tomou uma sopa leve, acendeu um baseado e acomodou-se em frente à tv. fumou mais que o habitual. ligou no canal de seriados inúteis e, como que numa religião, entregou-se à esperança.
viria com certeza. tudo estava perfeito. a escuridão. a sopa leve. o barulho que não diz nada. a luz azulada do aparelho de televisão.

nada.
um sinal ou outro.
mais nada.
embora tenha mentalizado que até a meia-noite estaria dormindo, nada aconteceu.

assim como todas as noites quando, jura!, irá acordar para uma caminhada. ou mesmo apenas para aliviar a sujeira da casa. “só a louça”, como que diminuindo a ação, aumentasse a probabilidade.

então assistia à seriados inúteis e pensava ter leves despertares com seus diálogos clichês.

“não tenho outro caminho para seguir que não para cima!” ensina o personagem.

sabe que seria muito mais bonito se chegasse à essa conclusão depois de ter lido um filósofo fodão. ou um dos escritores clássicos que sempre diz que vai, mas nunca lê. mas não. foi a nova e pobre cultura pop que lhe avisara do momento. e sem o glamour, a reviravolta, a mudança radical e empolgante que a mesma cultura sugere existir.
foi apenas uma constatação. não foi uma eureka. todos podem se acalmar novamente.

assim como constatou, permaneceu. gosta da ironia.

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Agridoce Teaser #01

Posted by n. on 18/08/2011
Publicado em: Agridoce, video. Deixe um comentário

Por Otavio Sousa.

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… fragmentos…

Posted by n. on 17/08/2011
Publicado em: fragmentos.... Deixe um comentário

Rendeu-se.

Rendeu-se novamente. E assim lá ficou. Estirado. Imóvel. Imutável.

Enquanto a mente lhe acelerava com suplícios de transformações, foi fraco e entregou-se à não-energia. Entregou-se àquela lesera horizontal já tão tradicional de todas as manhãs.

Já não reconhece mais o dia como manhã, tarde e noite. Ele se resume a tarde e noite. Às vezes, fim de tarde e noite.

Em algum lugar havia lido sobre os dias passarem mais rápidos. As horas continuavam horas, porém seus minutos, que continuavam minutos, passavam mais rápidos. Aqueles mesmo sessenta segundos, agora passavam mais rápido. Uma viagem qualquer sobre o mesmo tempo passando mais rápido do que ele costumava passar. A NASA explica. E os que buscam explicação pra qualquer coisa, tentam entender.

Não queria explicações. Queria apenas que o tempo continuasse no seu tempo e que o corpo continuasse sendo e agindo como um corpo. Um corpo útil. Um corpo vivo, vertical, ativo.

Estava perdendo a batalha corpo, mente, saúde X vida em sociedade, obrigações e deveres. Embora lembrasse o tempo todo que isso implicava em perder também vida em sociedade, prazeres e direitos, era impossível não se render ao ócio.

Ócio apenas. Sem complemento.

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Fragmentos…

Posted by n. on 16/08/2011
Publicado em: comportamento humano, fragmentos.... Deixe um comentário

O corpo já não responde mais. Ou então envia respostas confusas que deixam o cérebro em dúvida.

“No caso de dúvida, o melhor é ficar quieto”, e assim ele faz o corpo permanecer. Quieto. Imóvel. Involuntário e sem vontade.

Não adianta forçar a cabeça a pensar que preciso ir dormir, se o corpo diz que não quer levantar daqui e o cérebro completa com insônia.

É bom que todos por aqui já saibam que teremos a mesma polêmica pela manhã. Embora seja de conhecimento comum a necessidade de levantarmos e vivermos, todos passarão pela mesma crise. Ninguém quer acordar, ninguém quer levantar. O corpo quer permanecer naquele mesmo horizontal. A mente, na mesma inércia da noite – dessa vez dormindo. Profundamente. Mais profundamente a cada manhã.

Não adianta tentar convencer um deles a despertar.

Não adianta lembrá-los de que está um lindo dia de Sol lá fora. Temos, agora, alergia ao calor, ao Sol, ao suor e todo o resto que um lindo dia de Sol traz. Feio dia de Sol. Feio, bobo e chato.

Não adianta comemorar com eles o dia cinza e nublado. Pois isso sim torna toda essa não-atividade ainda mais perfeita.

Conseguimos barganhar alguma procrastinação de vez em quando. Funciona assim: tentamos despertá-los durante algumas horas. Esperamos estar tudo bem atrasado. Então trazemos a tona um não-compromisso: cerveja com amigos, por exemplo. Melhor ainda quando o estômago resolve se manifestar e nos ajuda nessa árdua tarefa de começar o dia.

Então, o estômago, egoísta como lhe é de praxe, atropela toda e qualquer sinapse para informar que está na hora dele trabalhar.

Ao inferno com o resto! O estômago precisa comer.

É o tal mal que vem para o bem. Todos obedecem ao estômago. Cegamente. Não importa se é hora ou não. Quando o estômago apita, todos se calam e se submetem às suas ordens.

 

Enquanto trava-se uma batalha interna entre alguns, a mente está cagando. Ela segue seu percurso sozinha. Alheia às tentativas, aos deveres, às vontades. A mente sonha. Dormindo ou acordada é só o que ela faz: sonha.

Sonha com o possível e com o impossível. Guerra e Paz. Vida e Morte. Aqui e, principalmente, Lá.

Sonha e deseja. Enche a cabeça de desejos, mas não tem forças para a realização de nenhum. Não foca. Faz que vai e então entra, sem aviso, noutra direção.

A mente deixa claro que é, sim! e sempre!, independente da cabeça, do cérebro, do corpo até mesmo do estômago.

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Se tivesse uma banda e fosse fazer um cover, ele seria… 1

Posted by n. on 28/06/2011
Publicado em: escritos e incríveis, Pearl Jam, the in between is mine, video. 1 comentário

Deixa carregar o video, dá play, acompanha com a letra e TALVEZ você entenda como essa banda é foda.

The selfish, they’re all standing in line
Faithing and hoping to buy themselves time
Me, I figure as each breath goes by
I only own my mind

The North is to South what the clock is to time
There’s east and there’s west and there’s everywhere life
I know I was born and I know that I’ll die
The in between is mine
I am mine

And the meanings, it get left behind
All the innocence lost at one time
Significance, between the lines
There’s no need to hide…
We’re safe tonight

The ocean is full ’cause everyone’s crying
The full moon is looking for friends at high tide
The sorrow grows bigger when the sorrow’s denied
I only know my mind
I am mine

And the meanings, it get left behind
All the innocents lost at one time
Significance, behind the eyes
There’s no need to hide…
We’re safe tonight

And the meanings that get left behind
All the feelings is broken with lies
We’re all different behind the eyes
(We may need to hide)

And the meanings that get left behind
All the innocence lost at one time
Significance, between the lines
There’s no need to hide…

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